Quem gostou mais do decreto das armas: Cacs ou fabricantes?

É improvável que novas regras aumentem segurança e reduzam violência, mas é certo que irão aquecer o mercado bélico no país; ações da Taurus disparam

Foi publicado nesta quarta-feira (08/05) o decreto do presidente Bolsonaro que flexibiliza o acesso a armas de fogo e a munições para os CACs, sigla para colecionadores, atiradores e caçadores.

Mas os CACs acabaram sendo muita gente. Conselheiros  tutelares, advogados, residentes em áreas rurais, jornalistas que fazem cobertura policial, oficiais de justiça, motoristas de cargas, agentes de trânsito e vereadores, entre várias categorias profissionais, também estão autorizados a portar armas pelo decreto.

As novas regras também flexibilizam a quantidade de munição a ser usada: de 50 cartuchos por ano para 5 mil, no caso das armas de uso permitido e mil para as de uso restrito. Aumentam também o número de estabelecimentos comerciais que poderão vender armas. E permitem o uso de armas que antes eram restritas a forças de segurança, como as pistolas 9 mm e a calibre 40. 

Mais gente portando, mais munição nas ruas, mais lojas vendendo armas mais letais. 

Se essas providências vão reduzir a violência, é duvidoso. Boa parte dos analistas acredita que vão é aumentar. Afinal, quanto mais armas, mais mortes. E quanto mais gente com armas, mais alvos para os bandidos.

A única certeza é que o decreto aquece o comércio bélico e, consequentemente, a fabricação de armas e munições.

Não é à toa que a Taurus, que detém o monopólio do setor no país, viu suas ações dispararem no pregão desta quarta.

As ações ordinárias da empresa, que fabrica revólveres, pistolas e fuzis, subiram 17,57%. Já as preferenciais foram ao céu: alta de 23,51%.

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

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