Quem financia o Intercept, o site que está detonando a Lava Jato

O magnata Pierre Omidyar está com 50 anos, tem mais de US$ 13 bilhões e usa seu dinheiro para fazer ativismo político e social

(Wikipedia)

O bilionário Pierre Omidyar está com 50 anos, tem mais de US$ 13 bilhões e mora no Havaí. Nasceu na França, filho de emigrantes iranianos e, de lá, foi com os pais para os EUA nos anos 80. Cursou Ciências da computação na Tufts University, de Massachusetts, onde se formou em 1988. Nos anos 90 criou o eBay, um site de leilões que é uma das maiores plataformas de vendas do mundo. Hoje, é um dos 120 homens mais ricos do planeta, segundo a Forbes.

É Omidyar que financia o The Intercept – site que acaba de divulgar as mensagens secretas entre o ministro Sérgio Moro e a equipe de procuradores da operação Lava Jato. O site atua nos Estados Unidos e no Brasil e foi criado em 2013, a partir de um investimento de US$ 250 milhões de Omidyar – algo como R$ 1 bilhão. Na época, ele chegou a cogitar a compra do jornal The Washington Post, que acabou nas mãos de outro magnata de TI, Jeff Bezos, da Amazon. Mas acabou optando por algo novo e de impacto social na educação e nos direitos civis e digitais, como é o caso do Intercept, que ganhou fama ao divulgar os arquivos de Edward Snowden sobre a vigilância mundial da agência de segurança nacional dos EUA, a NSA.

O bilionário vai além da filantropia ou do ativismo social de muitos magnatas como Bill Gates, cuja fundação financia projetos de cura da AIDS e da malária ou Michael Bloomberg, que usa seu dinheiro em causas ambientais. Omidyar quer interferir na política e, neste aspecto, está mais para Marc Benioff, grande crítico de Trump que comprou a revista Time e principalmente o especulador financeiro George Soros, que a direita brasileira demoniza como “comunista”, por financiar ongs de defesa dos direitos humanos.

Omidyar gasta seu dinheiro através da Omidyar Netword, fundação que já destinou quase US$ 1,5 bilhão em vários projetos. No Brasil, apoia sites como o Nexo Jornal e a agência Publica, além do próprio Intercept. Sempre para “apoiar vozes independentes, do jornalismo investigativo destemido e do cinema documentário, das artes, cultura, mídia e entretenimento”, como sustentou no lançamento da versão americana do Intercept.

Como ativista político, Omidyar coleciona polêmicas e críticos – como já acontece no país por parte dos admiradores de Sérgio Moro. Ele já foi acusado, por exemplo, de ajudar a sufocar o WikiLeaks, impedindo doações para o site do polêmico Julian Assange no PayPal – outra empresa criada pelo bilionário. O magnata também foi alvo de documentos vazados. Em 2014, um site de notícias denunciou que o magnata, junto com o governo dos Estados Unidos, ajudou a financiar grupos que derrubaram o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, gerando instabilidade na região.

Hoje radicado no Havaí, Omidyar é dono da rede de resorts Montage Resort and Spa, com unidades na Califórnia e no México, investe no setor imobiliário e ainda é acionista do PayPal e do eBay. Na empresa que fundou, ele ainda detém 7% das ações. O que é uma grana preta: na terça-feira, 11 de junho, o valor de mercado do eBay na Nasdaq batia em US$ 33,24 bilhões.

Com informações do Neofeed. com

 

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Guilherme Souto 17 de junho de 2019 22:03

    Tali e quali a linha de edição do fantástico, tem dó, ou coloque isso no espaço variedades, num momento tão importante, qual relevância do sujeito ser excêntrico, a não ser fazer com que não pensemos na trama do MP e o tal juízo de curitiba, como aquela lá, cheio de marra, gostava de se referir? Assim não se constrói instituição forte, pô!

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