PT e Lula vivem baixa histórica de popularidade

Apagados na oposição, petistas não se beneficiam das crises no governo Bolsonaro; sorte deles é que seus rivais não sabem aproveitar o desgaste do petismo

Lula em São Bernardo, pouco antes de ser preso (Ricardo Stuckert)

Seis meses após a derrota para o bolsonarismo nas urnas, Lula e o PT vivem uma de suas maiores baixas de popularidade. O ex-presidente foi apontado como o maior responsável pela situação econômica do país em levantamento do Ipespe para a XP Investimento no fim da semana passada. Já a legenda petista desabou oito pontos em seis meses no Datafolha, caindo de 22% às vésperas do 2º turno para 14% agora em preferência partidária. Pesquisas do Instituto Atlas Político também apontam o forte refluxo do petismo. Os dados são conclusivos: o PT não está se beneficiando do desgaste do governo Bolsonaro. 

 

O Datafolha pesquisa preferência partidária desde 1989. O índice do PT no último levantamento equivale a menos da metade do registrado pelo partido em 2012, seu melhor momento: 31%. E só não é menor que os apurados em 2015, no auge das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, quando o petismo chegou ao fundo do poço e oscilou entre 9% e 12% das preferências. A queda atual reflete a perda de protagonismo político do partido. E mostra que a sua oposição ao governo, errática e meramente reativa, não está sendo nem um pouco eficaz.

 

Mesmo em baixa, a legenda de Lula segue liderando as preferências no país e se mantém como primeiro partido em popularidade, uma posição que conserva ininterruptamente há mais de 18 anos, desde 1999. O PT caiu de imagem, mas não perdeu o trono. Isso porque os demais partidos não ocuparam o seu espaço.  Os ex-petistas desiludidos estão engrossando o contingente dos sem-partido, que chegou a um dos maiores índices no Datafolha: 65%.

 

Os concorrentes do PT não estão conseguindo se beneficiar do desgaste do petismo, assim como os petistas não tem sabido tirar proveito das crises do bolsonarismo. Isso fica muito nítido nas pesquisas do Atlas. O PT caído ainda conta com três vezes mais simpatizantes que o partido vitorioso nas urnas, o PSL: 15,8% contra 5,5%. Ou treze vezes mais que a principal legenda concorrente no campo da esquerda, o PSOL, que marcou 1,2%.

 

A imagem do PT anda colada à de Lula. E vice-versa. O refluxo do petismo se manifesta em maior crítica ou rejeição ao ex-presidente. Na pesquisa do Ipespe/XP, ele foi apontado como o maior responsável pela situação econômica em que se encontra o Brasil, com 32% das citações. Em distante 2º lugar aparece Dilma com 18%, empatada com Temer e seus 17%. Bolsonaro só é responsabilizado por 6%. Outros 13% apontam “fatores externos” como os maiores culpados pela crise e 14% não sabem dizer.

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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