Projeto de Kalil de assistência aos pobres é oportunismo eleitoral

É no mínimo curioso que o prefeito e os vereadores acordem para a questão da pobreza a um ano e quatro meses das eleições

O projeto do prefeito Kalil que garante assistência aos mais pobres possui um forte caráter eleitoreiro. Apesar de louvável, a proposta corresponde a meras gotas de água para quem tem sede no deserto. Ela está sendo construída há um ano e quatro meses das eleições e, por coincidência (ou não), pode reforçar a popularidade dos vereadores e, em especial, a do prefeito, no grande reduto eleitoral formado pelos mais pobres.

O Projeto de Lei 754 de 2019 pretende instituir em Belo Horizonte o Programa de Assistência Alimentar e Nutricional (Paan). Nesta sexta-feira (12/07), ele foi aprovado, em primeiro turno, por quase unanimidade dos presentes na reunião de plenário na Câmara, 30 parlamentares. Três foram contrários. A finalidade do projeto é garantir às pessoas em situação de extrema pobreza acesso à alimentação. Na proposta, Kalil não estipulou o valor que deverá ser entregue a cada família. Mas, conforme sinalizou anteriormente, serão R$ 100 em seis meses, prorrogáveis por mais seis meses. É como se a fome das pessoas se resolvesse em um ano. A estimativa é atender 1000 famílias, sendo que, em BH, 157 mil núcleos familiares necessitam de alguma renda do poder público.

É no mínimo curioso o prefeito e vereadores acordarem para a questão da pobreza há um ano e quatro meses das eleições. Para não ser confundida com oportunismo, as ações contra a pobreza devem ser encaradas de uma maneira mais profunda, não apenas como projetos de assistencialismo – no caso, pífio.

O PL aprovado será discutido em segundo turno, para ser aprovado definitivamente. Além dele, o prefeito indicou que quer implantar outras iniciativas do tipo. 

Elas são mais do que necessárias. O Cadastro Único do governo federal, banco de dados sobre os cidadãos mais carentes, indica que houve um aumento em BH daqueles que necessitam de rendas do poder público – de 2015 a 2018, houve um crescimento de 10, 33%. Hoje eles são cerca de 30% das famílias belo-horizontinas.

Marcelo Gomes é jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Apaixonado por política, não vê outra possibilidade de mudança social a não ser por ela. Já trabalhou em rádio e escreve para portais e revistas. Tem experiência em processos legislativos e em questões econômicas. [ Ver todas as publicações ]

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