Três anos depois, tragédia continua para vítimas de Mariana

Processo de reparação judicial tramita a passos morosos; estrago social permanece

(Antonio Cruz/Agência Brasil)

Do ponto de vista econômico, os danos com os rompimentos das barragens em Minas estão sendo superados. Mas o estrago social, ao menos em Mariana, ainda permanece. Em parte, isso se deve à morosidade da justiça brasileira. Há três anos a cidade foi palco de uma tragédia, cujas dimensões são calculadas até hoje. Foram 19 vidas humanas, sem contar o dando ambiental.

A Samarco, proprietária da barragem rompida, paga para as vítimas uma casa nos arredores da cidade e promete construir um novo distrito de Bento Rodrigues. O original foi engolido pela lama. Até hoje não há um cálculo preciso das vítimas. Alguns pescadores, por exemplo, que dependiam do Rio Doce, não são reconhecidos como atingidos pelo desastre. Dos que foram reconhecidos, os cerca de R$ 1 mil que ganham de pagamento emergencial da mineradora não suprem a renda que recebiam com os empregos ou negócios fechados após o desastre. Hoje, aos poucos, eles são retomados. Além disso, atingidos de Mariana aguardam há  mais de três anos uma reparação judicial.

De acordo com MP, o processo pode se acelerar se a justiça permitir a instalação das assessorias técnicas para ajudar as vítimas a reivindicarem seus direitos.  A decisão sobre elas ainda está parada na 12° Vara da Justiça Federal, onde tramita o caso. “A gente percebe que o caso de Mariana não tem tramitado na velocidade que merece”, aponta o procurador do Ministério Público estadual, André Sperling, em conversa com Os Novos Inconfidentes.

“Outro motivo que atrasa ainda mais o processo é o fato de que a justiça federal não realiza audiência públicas, em que os atingidos são ouvidos e em que há encaminhamentos, por exemplo”, analisa André. No processo de Brumadinho, por exemplo, em cerca de cinco meses de tramitação houve 11 audiências. No de Mariana, em três anos, ocorreram duas. O MP reconhece que o processo de Brumadinho anda com uma velocidade mais ágil. Isso se deve à pressão feita sobre o judiciário, que no caso de Mariana foi vista apenas no início. “Hoje de fato ela caiu”, observa o promotor.

Marcelo Gomes é jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Apaixonado por política, não vê outra possibilidade de mudança social a não ser por ela. Já trabalhou em rádio e escreve para portais e revistas. Tem experiência em processos legislativos e em questões econômicas. [ Ver todas as publicações ]

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