Os partidos estão acabando no nome. E pode sobrar só o PT

As legendas tentam deixar para trás uma imagem antiquada e, através de mudanças superficiais, querem ficar mais jovens, mais palatáveis para as redes sociais

Tal qual os candidatos (ou candidatas) que dão um retoque no visual antes das eleições com uma cirurgia plástica, um branqueamento nos dentes ou simplesmente um novo corte de cabelo, também os partidos estão fazendo intervenções estéticas antes de voltar às urnas no ano que vem.

A “velha política” e, junto a ela, os partidos, perderam credibilidade no país, na esteira da crise do próprio sistema representativo, que vem do século passado. A solução encontrada pelas lideranças políticas – ou pelo menos por seus assessores de marketing – passa por novas logomarcas, mudanças de rumo e até de estatuto, mas a mais relevante é mudar o nome das agremiações partidárias. Na verdade, a estratégia é tirar o nome “partido” das legendas, como se assim elas pudessem escapar da rejeição popular.

O estratagema inclui abolir de suas marcas a letra P e a substituição das antigas siglas por verbos ou substantivos. O PPS virou Cidadania, o PTN agora é Podemos e o PTdoB, Avante. O antigo PEN virou Patriotas e o PP, simplesmente Progressistas.  O MDB, depois de tirar o P da sigla, passará a assinar só “Movimento” e o PRP se chamará Republicanos.

O DEM lançou a moda em 2007, quando passou a se chamar Democratas – e olha que nem tinha a letra p no nome. O PSDB quer mudar tudo. Sob o comando do governador paulista João Dória e seus aliados, os tucanos pensam em mudar de nome e até de ideologia, substituindo a social-democracia pelo ultraliberalismo.

Com essas intervenções, o que os partidos querem mesmo é deixar para trás uma imagem antiquada e, através de intervenções cosméticas, procuram ficar mais jovens, mais palatáveis para as redes sociais e um público hiperconectado. E, depois do fracasso geral das legendas tradicionais no ano passado, querem voltar a ganhar eleições. 

Nem mesmo o PT passou incólume pela onda. Não foram poucas as discussões no partido, procurando uma fórmula para superar o inegável desgaste de sua imagem, que se refletiu no antipetismo de boa parte dos votos de Bolsonaro contra Haddad em 2018.

A mudança de nome chegou a aparecer nos debates, mas a hipótese foi prontamente descartada. Afinal, o PT já queimou tudo o que podia de sua imagem nos últimos anos, quando seus adversários associaram a sigla à corrupção e à ineficiência administrativa. Mesmo assim, ainda é o partido com maior recall de conhecimento e simpatia, um patrimônio que não é de jogar fora.  Aos 39 anos, o PT acredita que ainda dá um caldo e é cedo para plásticas.

 

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

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