Uma onda de repúdio a Bolsonaro vai se formando no mundo

Onde o presidente brasileiro bota o pé, tem protesto; de vários lugares vem a rejeição a posições retrógradas e de desapreço ao meio ambiente

 

Milhares de argentinos foram às ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira (06/06) para protestar contra a visita de Jair Bolsonaro ao país vizinho. Cartazes com os dizeres “Argentina rechaza Bolsonaro” tomaram a capital portenha. Tem sido sempre assim. Mesmo sem a grandiosidade dos protestos argentinos – que reuniram na praça de Maio centrais de trabalhadores, frentes políticas, organizações de direitos humanos e movimentos populares e culturais como as Mães da Praça de Maio – as reações contrárias se repetiram em Santiago do Chile, em Dallas e em Nova Iorque – onde Bolsonaro nem colocou os pés.

Em todas essas cidades, uma triste mensagem aguardava Bolsonaro: “seu ódio não é bem-vindo aqui”, referindo-se às suas posições retrógradas em relação a mulheres, negros, comunidade LGBT, imigrantes, esquerdistas, além de seu pouco apreço ao meio ambiente. Agora, às manifestações de ruas, acrescenta-se o protesto em forma de boicote da rede sueca de supermercados, a Paradiset, que parou de vender produtos brasileiros. A razão? A liberação recorde de agrotóxicos no Brasil – só este ano, foram 197 novos defensivos autorizados pelo Ministério da Agricultura.  

“Não posso escolher o presidente do Brasil, mas posso escolher o que vou comer”, disse o dono das lojas suecas, antes de tirar de suas prateleiras produtos como melão, melancia, café e chocolate brasileiros. Uma reação como esta é a prova viva de que a rejeição a Bolsonaro pode prejudicar o país e sua economia – afinal, ele é o nosso cartão de apresentação para clientes no exterior.

O que está acontecendo é absolutamente inédito: nunca houve um presidente com imagem tão negativa fora do país, nem mesmo durante o regime militar. O discurso anacrônico de Bolsonaro sobre costumes e meio ambiente faz dele – e do país – objeto de repúdio concreto por parte de segmentos importantes da comunidade internacional.

E nessa trajetória de autodestruição, já tratada por Raquel Faria em Os Novos Inconfidentes, Bolsonaro consegue se superar e piorar ainda mais a sua imagem. Ao se solidarizar com Neymar antes das investigações sobre a acusação de estupro contra o jogador, o presidente abraça a versão masculina da história sem nem ao menos ouvir o lado feminino. Com isso, assume o seu machismo e se coloca, sem o menor pejo, no time dos homens que odeiam as mulheres. 

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Rosa Darcie 7 de junho de 2019 13:00

    Queria que Dona Bianca Alves mostrasse os milhares de argentinos nas ruas. Minha senhora, a mentira sempre teve pernas curtas, com as redes sociais, ela a mentira, perdeu as pernas. Hoje, ficou só mais fácil provar o mau caratismo da Esquerdalha, que mente compulsivamente . Chore e peça perdão a Deus . Tchauzinho !

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