Bolsonaristas saem em socorro de Moro… mas ainda falta o presidente

Bolsonaro, que não titubeou em abraçar Neymar, agora adota cautela; é que não se sabe até onde vão os vazamentos

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, durante solenidade de entrega da medalha da Ordem de Rio Branco, no Palácio Itamaraty (Agência Brasil)

Dois dias após a largada do “Vaza Jato”, o que não faltou ao ministro Sérgio Moro foi apoio no governo. Manifestaram-se em seu favor o PSL, o Chefe da Casa Civil Ônyx Lorenzoni, a Secretaria de Comunicação, os militares do governo – inclusive o vice-presidente Hamilton Mourão – e, naturalmente, sua multidão de fãs nas redes sociais. Eles abraçam com entusiasmo a versão de que ele foi vítima de ataques hackers ilegais, cujo objetivo é macular a imagem acima de qualquer suspeita do ministro da Justiça. Mas o que ele ganhou foi principalmente tempo: vai se explicar no dia 19 ao Senado e, pelo menos até lá, é certo que continue no cargo.  

Quem ainda não o apoiou formalmente foi o presidente Bolsonaro. Ele falou com Moro na manhã desta terça-feira, 11/06, levou-o de lancha a um evento da Marinha e o condecorou com a Ordem do Mérito Naval. Mas ainda não se manifestou pessoalmente sobre as mensagens reveladas pelo site Intercept, que colocam em dúvida a ética e a parcialidade do ministro, juntamente com os procuradores, na condução da força-tarefa e na condenação do ex-presidente Lula.  

O presidente, que não titubeou, logo no primeiro momento, em abraçar Neymar e defendê-lo da acusação de estupro, está sendo cauteloso. E todo mundo sabe que cautela não é seu forte. Bolsonaro é um homem de impulsos, como mostrou ao interromper abruptamente a entrevista na saída da Fiesp. Motivo: a pergunta era sobre as questões envolvendo Moro. Que ele não respondeu, é claro. 

Mas não é só o presidente que está se preservando diante de um assunto tão bombástico. O STF, por exemplo, não falou abertamente sobre o caso. Ministros até comentaram o episódio, mas sem citar nomes, como Gilmar Mendes, ou nos bastidores.  

A questão é que ninguém sabe onde esse negócio vai parar. O jornalista que publicou as mensagens, Glenn Greenwald, disse que estava só começando e que ainda tinha muita bala na agulha. E não há razões para duvidar disso.

Mas há muitas para ficar quietinho. Se por aí vem carga ainda mais pesada, muita gente – sejam advogados, delatores, jornalistas – deve estar dormindo à custa de ansiolítico, com medo de aparecer em alguma gravação.

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

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