Notas de Márcio Fagundes

De ruim para pior

Uma triste realidade projeta um índice superior a 13 milhões de desempregados no país. Mais triste ainda, embora de objetividade cruel, é que parte dessa gente nunca mais voltará ao mercado de trabalho. Não porque não queira, pelo contrário, mas pelo simples fato de que a modernidade tecnológica embarcada no capital, dentre outros fatores, extinguiu várias profissões. Os postos de abastecimento de combustível, espalhados aos milhares pelo país, um dia, que não se prenuncia longínquo, vão acabar com os frentistas que, de acordo com os economistas, somam um universo de centenas de milhares, senão de milhão. “Quer que eu veja o nível de óleo? – Quer que eu calibre o pneu? – Posso passar um sabão no vidro da frente para tirar a poeira?”, são indagações invocadas por um serviço oneroso de tempo contado, pois sem qualificação. O proprietário de veículo fará sozinho a manutenção de seu objeto de desejo. Como, há décadas, ocorre nos Estados Unidos e Europa, sem choro e velas.

Jogatina dos novos tempos

É uma gracinha ver os jovens e também vários marmanjos se esbaldando nos fins de semana na Praça da Liberdade com o celular na mão em grupo ou solitários. Todos participantes de um jogo que tem por protagonista a figurinha de um Pókemon. Mais virtual impossível! O desafio é acumular a destruição de totens espalhados pelo logradouro. A sua pontuação pode, inclusive, ser repassada a um outro participante. E o que se ganha? A premiação foi definida assim por uma garota, concentrada na perseguição: “Alegria no coração”. Então tá!!!!!

Uma pontinha de saudade

Artífices de um tempo que não volta mais, as crianças de 50 anos atrás faziam os seus próprios carrinhos de rolimã. Madeira, martelo, pregos, serrote e rolamentos usados comprados em oficinas mecânicas, bastavam para a confecção de um bólido, que descia embalado as ladeiras desta capital montanhosa. Se sofisticado, com freio. Um pedaço de pneu pregado de cada lado no eixo dianteiro. Se simples, bastava um pedaço de cabo de vassoura na mão. Em último caso, um tênis velho, esgarçado e de um chulé medonho, promovia a frenagem. A meninada se deliciava com a aventura. Vento no rosto e, na maioria das vezes, um joelho ou cotovelo ralado. Belo Horizonte tinha poucos automóveis. Um dos garotos ficava no fim do percurso a sinalizar se algum veículo aparecesse durante a descida na rua. Ninguém nunca usou um capacete. O pior dos acidentes era uma unha estraçalhada por imperícia do piloto, que para se equilibrar punha a mão no chão e a roda de ferro com esferas passava pesada por cima. Nada que um pouco de gelo, mercúrio cromo e esparadrapo não curasse para o dia seguinte. Os carrinhos de rolimã, hoje, vendidos em loja na Savassi, eram brinquedos de uma geração que curtiu a infância na plenitude.

Folha de bananeira

Parte da essência humana, diariamente, escoa pelo vaso sanitário. E muita gente de nariz em pé não se dá conta do fenômeno…

Fazer o dois em um

Categoria que trabalha como poucas, sem horários, fins de semana ou feriados, os garçons também sabem dar seus pulos. Alguns, com anos de experiência, por exemplo, desfrutam de festas e eventos com a mesma desenvoltura dos convidados e anfitriões. Ou seja, caem matando em comes e bebes, mas com inusitada categoria. Quando um deles grita “sai um chileno!”, a turma que serve a bebida nos bastidores já sabe que é para caprichar no copo de uísque misturado com Coca-Cola. Assim, se flagrado no beberico, o serviçal passará batido pelo olhar de quem patrocina o rega-bofe, desfrutando do bom e do melhor. A isso se chama unir o útil ao agradável, sem culpas.
 
 
 
No Brasil, em cada quatro homicídios, três dos mortos são negros…
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A precaução da aventura

Os jovens se encontram no fim de semana, em grupo, na Praça da Assembleia, para encenações teatrais em inglês. A ninguém é dado o direito de se expressar em outra língua. Eles ensaiam situações que irão enfrentar no exterior, pois todos são membros de programa de intercâmbio. Uma beleza o vigor e a disposição dessa moçada. Nada como a juventude!

 
 
 
 

Jornalista há 40 anos, trabalhou no Diário de Minas, Jornal de Minas, Tribuna de Minas, O Globo, Folha de SP, Mercado Comum, Hoje em Dia, Câmara de BH, Governo de Minas e MP de Contas. Ciclista, pedestre, leitor, nadador, cinéfilo, empinador de papagaio, artista plástico e remetente de cartas e cartões selados [ Ver todas as publicações ]

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