NOTAS DE MÁRCIO FAGUNDES

CORDEIRO DE DEUS
O cemitério do Bonfim, localizado em bairro de mesmo nome, na capital mineira, guarda grandes obras de arte de influência italiana. Algo de seu acervo em bronze e cobre, claro, foi afanado. Ali é possível desfolhar a árvore genealógica de famílias importantes, sobretudo estrangeiras, que vieram para cá e investiram no comércio e na indústria. Alguns mausoléus em mármore negro retratam época de exuberância e grandiosidade. Hoje, nem tanto assim, de acordo com vários sobrenomes. Aliás, para que serve o muro em cemitério? Quem está dentro não pode sair; quem está fora não quer entrar.   
 
 
DÍZIMA PERIÓDICA
Uma rápida corrida de olhos nos preços em exposição nas gôndolas dos supermercados e a contundente conclusão: todos terminam com o numeral 8 ou 9, sendo este em maioria. E não pululam apenas em promoções. Tudo ao custo de R$ 5,98, R$ 3,99, R$ 6,99, R$ 9,98… Por qual motivo nada vale R$ 4,45? Esse arranjo monetário atende ao interesse de alguém. Certamente não é o do consumidor, que por essa centesimal fração nem ao menos é restituído de troco.
 
PANDARECOS
A tesoura deixou em retalhos os recursos das universidades federais. Os orçamentos das instituições superiores, doravante, se assemelham a estas calças jeans da moda, vestidas em frangalhos. O bloqueio federal atinge uma média de 28% na maioria. Somente em Minas Gerais foram 11 universidades escalpeladas em suas finanças.
 
A FÓRCEPS
Exatas 86 salas de cinema da Região Metropolitana de BH, em variados horários, exibiram o filme “Vingadores-Ultimato”, quando de seu lançamento. A despeito de Scarlett Johansson ser uma boa atriz, a fita é uma bobagem futurista direcionada, sobretudo, aos jovens tecnológicos. Em uma sala apenas, a obra “O gênio e o louco”, à altura do melhor cinema de arte, com um roteiro sobre a criação do dicionário de inglês Oxford. Comovente e inesquecível. Quem ama as palavras vai com facilidade às lágrimas, em interpretação fascinante de Sean Penn.
 
ESCANINHO 
 
“A memória é um bilhete de meia entrada para a felicidade”
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MELHOR NA MOITA
De volta a seus estados de origem, geralmente às quintas-feiras, deputados e senadores tratam de tirar da lapela o distintivo redondinho que os identifica frente ao público, assim que chegam ao aeroporto de Brasília. Ninguém se arrisca a levar uma carraspana gratuita, de viés odiento, nesse traslado aéreo sem rota estratégica de fuga.
 
 
 
 
 
 

Jornalista há 40 anos, trabalhou no Diário de Minas, Jornal de Minas, Tribuna de Minas, O Globo, Folha de SP, Mercado Comum, Hoje em Dia, Câmara de BH, Governo de Minas e MP de Contas. Ciclista, pedestre, leitor, nadador, cinéfilo, empinador de papagaio, artista plástico e remetente de cartas e cartões selados [ Ver todas as publicações ]

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