Zema usa subterfúgio para tentar aumentar salário de secretários

Por que o governador não propõe abertamente um reajuste salarial para sua equipe, se ela ganha pouco?

(foto ALMG)

Nesta terça (25/06), Romeu Zema chamou a imprensa e o presidente da Assembleia, Agostinho Patrus, à sede do governo para ouvir sua defesa dos jetons para secretários. O argumento é que os secretários mineiros precisam desses honorários extras, pagos pela participação em conselhos de estatais, porque seus salários de cerca de R$ 10 mil mensais estariam abaixo de suas qualificações. O governador até apresentou um estudo para respaldar a tese. A quem acha que pode enganar?

A questão é a seguinte: na campanha eleitoral, Zema criticou as rendas auferidas no alto escalão; chegou a prometer extinguir o próprio salário e o de sua equipe. Depois de empossado, e constatada a inviabilidade técnica e legal de sua demagogia, ele fez um meia culpa em público e passou a apadrinhar a causa dos jetons. Na prática, o governador está usando um subterfúgio para tentar aumentar os salários dos secretários – ou pelo menos dos mais próximos e essenciais em sua equipe.

A pergunta que não cala: se o governador acha que os seus secretários estão ganhando pouco, por que ele simplesmente não os reajusta? Por que recorrer a um subterfúgio quando tem o poder e os meios para ser transparente? Ora, porque ele não quer encarar os eleitores. Então, para fugir da critica ou cobrança, ele recorre à velha hipocrisia brasileira de agir pelas aparências, fazendo de conta que não faz o que faz, e esperar que os outros finjam que não perceberam.

Zema teme ser transparente por lhe faltar justificativa convincente para dar um aumento salarial puro e simples ao alto escalão. Não dá para chamar de baixo um salário que é mais de quatro vezes superior à média vigente no Brasil, de R$ 2.340 segundo o IBGE.

Pode-se alegar que o secretário mineiro ganha pouco em relação a executivos de ponta no mercado privado, que chegam a receber dezenas e até centenas de milhares, ou à elite do funcionalismo público (juízes, procuradores, etc), cujos vencimentos costumam ficar acima de R$ 30 mil. Mas, é descabido comparar o setor público com o mundo corporativo, onde as altas remunerações são condicionadas a metas de lucro, algo estranho à natureza do Estado. Os servidores de elite também não servem de referência porque são os marajás do Estado; perto deles quase todos nós brasileiros somos sub-remunerados.

A questão dos jetons está na ordem do dia na Assembleia. Nos próximos dias os deputados deverão decidir se mantém ou excluem os jetons da reforma administrativa. Durante a tramitação da reforma, a maioria dos parlamentares, incluindo membros da base governista, optou pela extinção dos jetons. O governador vetou essa decisão e propôs manter os jetons com o limite de dois por secretário.

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