IBGE explica porque os ricos amam Bolsonaro cada vez mais

Evolução da renda no país mostra que a elite brasileira está sendo favorecida pelas políticas ultraliberais em curso

Na contramão do povão, os brasileiros que ganham acima de 10 salários estão cada vez mais apaixonados por Bolsonaro. Segundo o Datafolha, a aprovação do presidente entre os mais ricos deu um salto de 11 pontos, de 41% para 52%, o que segurou a sua aprovação geral em 33%, mesmo índice da pesquisa anterior, apesar de  se reduzir nos demais estratos sociais. Pelos dados divulgados nesta segunda (08/6), quanto mais Bolsonaro governa, mais ele conquista os ricos. E quanto mais rico é o cidadão, mais ele apoia o presidente. Um fenômeno que só o IBGE pode explicar.

A nova pesquisa ouviu 2.086 pessoas em 130 cidades de todo o país nos dias 4 e 5 de julho. Entre os entrevistados ricos, a melhoria de imagem do presidente é geral, com uma queda expressiva da avaliação negativa, que desceu de 37% para 32%. O grupo de renda superior a 10 salários é hoje o único em que Bolsonaro tem mais de 50% ou a maioria ao seu lado.

Os ricos se identificam com a agenda econômica que Bolsonaro herdou de Michel Temer e está aprofundando no seu governo. Agenda que prevê soluções ultraliberais para desenvolver o país, com flexibilização radical de leis trabalhistas, redução de custos/encargos para empresas, abertura agressiva do comércio ao exterior e privatização de todo ativo público possível. Tudo isso o governo está fazendo. Ou tentando, pelo menos. E com bons resultados até agora para os ricos.

A elite nacional não tem do que se queixar. Estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV revela que os 10% mais ricos já acumulam um aumento de 3,3% de renda do trabalho desde a recessão de 2015/16; eles não só recuperam as perdas como ampliaram ganhos. Para comparação, o mesmo estudo aponta que os cidadãos mais vulneráveis amargam queda de mais de 20% na renda.

A FGV se baseia em dados do IBGE, a fonte comum de todos os estudos socioeconômicos no país. E no IBGE, hoje, todas as informações levam a uma só conclusão: a recuperação econômica até agora quase não gerou empregos e só favoreceu o pessoal de renda mais alta. Antes de 2015, a turma que mais aplaude Bolsonaro recebia cerca de 49% do total da renda do trabalho; hoje fica com 52%. Ao mesmo tempo, a renda dos mais pobres caiu de 5,74% para 3.5% do total.

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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