Economia argentina em colapso vai pelo mesmo caminho da venezuelana

Novo choque fiscal deve aumentar os altíssimos índices de pobreza, que já atinge um quarto da população

(Wikipedia)

Em Buenos Aires, o governo Macri anuncia nesta segunda-feira mais um pacote com medidas de arrocho para agradar investidores estrangeiros. Se o novo choque fiscal vai dar certo, segurando dólares no país e detendo a corrosão do peso, só tempo pode responder. Mas, se o sucesso econômico é duvidoso, os impactos sociais são certos: fala-se em queda de 2% do PIB este ano, com aumento dos já altíssimos índices de pobreza entre os argentinos (25,7% ou um quarto da população, segundo dados oficiais).

Venezuelização

A economia argentina está entrando em colapso, abatida pela crise cambial. O peso derrete: já perdeu este ano 50% do seu valor. E a pressão sobre a moeda continua, mesmo com o país pagando 60% de juros, as maiores taxas no mundo. Os reflexos na inflação são os mais preocupantes. Os preços começam a explodir, com bancos prevendo inflação de 45% ao fim do ano. A Argentina ainda está longe da devastação vista na Venezuela. Mas vai pelo mesmo caminho de destruição da moeda e consequente hiperinflação. Os dois países latinos, naturalmente com a ajuda dos respectivos governos, passados e presentes, são as primeiras vítimas da crise das moedas emergentes que começou em 2013 e agora se aprofunda com a redução da liquidez internacional pelos países ricos.

 

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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