A ideologia (e não casos de corrupção) está rachando os tucanos

Enquanto Dória propõe guinada para a direita, Aécio e Alckmin querem fortalecer social-democracia no PSDB

O governador de São Paulo, João Dória, vem ampliando seu domínio sobre o PSDB, como clara estratégia para disputar a presidência em 2022. Dória tem aliados em postos-chave, que defendem uma pauta liberal-conservadora (na qual entra até uma possível fusão com o DEM) e a expulsão de quadros envolvidos com esquemas de corrupção.

 

Um possível e óbvio alvo seria Aécio Neves, cuja expulsão (junto a Eduardo Azeredo) chegou a ser cogitada em fevereiro pela Executiva Nacional do partido, como apontou matéria de Os Novos Inconfidentes. A alegação é o envolvimento do nome dos tucanos mineiros em escândalos. Mas a questão tem pouco a ver com corrupção. E tudo a ver com ideologia.

 

O que racha mesmo o PSDB são questões programáticas. Enquanto o grupo de Dória defende uma guinada do partido à direita, Aécio quer que o partido continue sendo uma legenda social-democrata, mais ao centro do espectro político. 

 

Na convenção do partido em Minas, realizada neste sábado (04/04), Aécio criticou Bolsonaro e Zema. Foi aplaudido de pé ao dizer que “nosso projeto não é o ultraliberalismo” e que os tucanos consideram o Estado fundamental para promover políticas sociais e combater as desigualdades. Se depender dos aecistas, o PSDB manterá um viés social que integra sua identidade há 30 anos,  desde a fundação em junho de 1988.

 

Longe do radicalismo que abraçou na campanha contra Dilma em 2014, Aécio defendeu o pragmatismo na política externa, mostrando assim que aposta na conciliação e no equilíbrio para vencer a polarização política.  

 

A posição do deputado mineiro foi reforçada neste fim de semana pelo presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin. Em convenção que sagrou um aliado de Dória, Marco Vinholi, como presidente  da legenda em São Paulo, Alckmin rechaçou a mudança de nome do partido e reforçou a vocação tucana  para a social-democracia, “que é saber ouvir e dialogar” conforme disse em discurso. 

 

O ex-governador de São Paulo deixará a presidência do PSDB no final do mês, quando deve ser sucedido pelo ex-deputado pernambucano, Bruno Araújo, mais um aliado de Dória e defensor da opção pelo liberalismo conservador.

 

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

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