Desemprego quase dobra no Brasil entre 2014 e 2018

Ao todo, são 27 milhões de pessoas sem trabalho satisfatório; um desperdício de capital humano e problema social explosivo

Foto: Ádria de Souza/Pref.Olinda (Flickr)

Entre as eleições de 2014 e 2018, uma das alterações mais significativas no Brasil ocorreu na taxa de desemprego, que quase dobrou nesses quatro anos, saltando de 6,8% para 12,4% e atingindo mais de 13 milhões de pessoas. Nenhum indicador nacional tem sido tão negativo, nenhuma área registrou pior desempenho. Mas não chega a ser reconhecido como a maior tragédia brasileira atual, nem a receber o status de prioridade nacional, talvez por atingir a sociedade de modo desigual. Pouco sentido pelos brancos maduros (5%), o desemprego assola mais negros e pardos (15%) e especialmente os jovens (26,6%).  É uma tragédia seletiva.

Pior do que parece

Na tragédia do desemprego, até os dados positivos trazem más notícias. A ligeira queda da taxa neste semestre (ela estava em 13,7% até março) foi acompanhada de um recorde no número de desalentados: 4,8 milhões nos últimos três meses, 203 mil pessoas a mais que no trimestre anterior. A taxa formal de desemprego, medida pela quantidade de gente em busca de um trabalho, cai menos em função do aumento de vagas e mais pela desistência de candidatos. Acrescente-se ainda à tragédia o drama do subemprego: os subocupados, que trabalham menos do que gostariam por falta de chance, subiram de 6,2 milhões para 6,5 milhões de um trimestre para outro.

Exército marginal

Somando desempregados, subocupados, desalentados e ainda todos os que poderiam trabalhar mas não o fazem por algum motivo, o Brasil tem hoje uma massa de 27 milhões de pessoas sem trabalho satisfatório. Um exército que representa quase um quarto (24,6%) da força de trabalho e que não tem estímulo ou oportunidade para desenvolver o seu potencial, sobrevivendo de ‘bicos’ ou à margem do mercado. Um enorme desperdício de capital humano. Além de um problema social explosivo.

Povo sabe tudo

Na última sondagem de entidades do setor comercial (CNDL e SPC) para apuração do Indicador de Confiança do Consumidor, em julho, 84% dos consumidores consideram o cenário ruim ou muito ruim e 73% atribuíram como principal razão o desemprego. O povo já entendeu, antes até dos economistas, que a desocupação virou um entrave à economia, segurando o consumo que gira a produção. E a ironia nisso tudo é que a maior reforma trabalhista em 40 anos foi feita pelo governo Temer e pelo Congresso com a justificativa de criação de empregos. Um fiasco retumbante. Não é à toa que os atuais mandatários federais são recordistas de impopularidade.

Péssimo na foto

Hoje o Brasil está na 204ª posição do ranking de desemprego que considera 233 países. Ou seja, quase todos estão em situação melhor no mundo, cuja desocupação média anda em 5,5%, menos da metade da taxa brasileira.

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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