Caso turco acentua crise das moedas emergentes e turbulência ameaça Real

Até a manhã desta segunda-feira, o Real brasileiro já acumulava mais de 4% de desvalorização com a instabilidade na Turquia

Em três momentos, o último no final da Copa, o site comentou que a lira turca seria a segunda peça a cair no dominó da crise das moedas de países emergentes, quase todas em forte desvalorização frente ao dólar desde o ano passado. E o anunciado aconteceu última sexta-feira (10), com a lira desabando 17% em poucas horas. A primeira moeda derrubada no dominó cambial foi o peso argentino, que afundou em abril e levou o país vizinho de volta ao FMI. Agora, a turbulência se prenuncia mais intensa. O governo da Turquia ameaça peitar o mercado financeiro, resistindo a tomar medidas para segurar capitais. E os bancos europeus têm muito dinheiro ali. A crise turca deve elevar o estresse global ao maior nível no ano, com impacto negativo para todas as moedas emergentes, incluindo o real.  Até a manhã desta segunda-feira (13), o Real brasileiro já acumulava mais de 4% de desvalorização com a instabilidade na Turquia.

Moedas emergentes correm sério risco de derretimento

A crise das moedas emergentes não vai parar na lira turca, como não parou no peso argentino. Em maior ou menor grau, todos os emergentes vêm sendo afetados, uns mais que os outros. O Brasil já viu o real perder 25% do seu valor desde 2017, mas tem volume alto de reservas cambiais e por isso não é considerado um dos mais vulneráveis. Há três países à sua frente, com mais riscos de derretimento de suas moedas: México, África do Sul e Rússia, não necessariamente nessa ordem.

Real pode passar de R$ 4,24 e quebrar recorde de desvalorização

Na sexta-feira (10), refletindo os primeiros impactos da crise na Turquia, o real fechou em R$ 3,86, já apontando para R$ 3,90 por dólar. Na segunda, o real já chegou a atingiu essa marca, cotado no início dos negócios a R$ 3,91, apenas nove centavos abaixo da proporção de quatro por um. A força da nova onda de instabilidade cambial no mundo pode levar o real a romper os R$ 4. Na história do real, o menor valor até hoje foi de R$ 4,24, em 23 de setembro de 2015. Esse recorde tende a ser quebrado agora.

Banco Central terá cabo de guerra com mercado para segurar moeda

A partir desta segunda-feira e nos próximos dias, o Banco Central brasileiro deve entrar armado até os dentes no mercado cambial para evitar ou, pelo menos, amenizar a escalada do dólar e a perda do real. Mas, vai ser difícil segurar o nervosismo no mercado. O risco externo é agravado no Brasil pelo cenário interno conturbado por eleições a menos de dois meses. Hoje, tudo conspira para turbulências no mercado brasileiro. Nesse contexto, o BC será muito pressionado a subir a Selic. Como na Turquia e na Argentina, os donos dos capitais estrangeiros vão pedir mais juros para deixar o dinheiro em nosso país. É cabo de guerra pesado.

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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