Há “fábricas demais” de automóveis no Brasil

Com enorme ociosidade, produzindo menos da metade do que poderia, segmento está para passar por “grandes emoções”, segundo reputado economista

O economista e consultor José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, comenta em artigo no Estadão de São Paulo o cenário de fortes mudanças no setor automobilístico e os seus impactos na indústria brasileira, que já enfrenta internamente uma crise estupenda de demanda e ociosidade. “Estima-se que a capacidade de produção instalada hoje seja superior a 5 milhões de unidades, enquanto a produção caiu para a faixa dos 2 milhões de carros em 2016. Essa grande ociosidade pressiona os custos, dada a sensibilidade do segmento aos ganhos de escala”, observa o economista. E conclui: “O mercado tem fábricas demais”.

 

Mendonça de Barros prevê um cenário difícil à frente. “Ainda levaremos de três a quatro anos para encher totalmente as fábricas, especialmente agora com o tombo das exportações, resultante da recessão pela qual passa a Argentina”, avalia. Ele não diz, mas o seu prognóstico leva em conta uma recuperação da economia nos próximos anos, o que ajudaria o setor.  

 

Para o economista, a “falsa solução” de compensar ineficiências setoriais com doses elevadas de incentivos fiscais, como ocorreu muitas vezes no país, estaria esgotada a partir de agora. “Ora, em época de crise fiscal e de recessão, o caminho dos incentivos fiscais fica totalmente prejudicado, expondo uma crise, mais forte em fábricas velhas e concentrada em determinadas companhias”, argumenta. 

 

Em nenhum momento do seu artigo Mendonça de Barros especula sobre o fechamento de plantas de montadoras no Brasil, a exemplo da unidade da linha de montagem da Ford em São Bernardo do Campo. Mas prevê fortes turbulências ou “grandes emoções” no setor.

Leia aqui a integra do artigo de Mendonça de Barros.

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