“Bolsonaro furou o balão de Sérgio Moro”

Com indicação prematura ao STF, presidente está fazendo com ministro o que o meio político chama de ‘fritura’, diz analista

Ao indicar Sérgio Moro para uma vaga no STF que só deve abrir em 18 meses, o presidente Bolsonaro expôs o ministro a um longo e contínuo desgaste, processo que no jargão político ganhou o nome de ‘frutura’. É o que aponta o jornalista Luiz Weber, especialista em Direito Constitucional, em artigo nesta segunda-feira (13/05) na Folha. “O presidente Bolsonaro furou o balão de Moro. Sobra agora apenas aquele barulho agudo, do ar escapando fino, desinflando aos poucos a figura do superministro da Justiça”, comenta.

O jornalista destaca que a indicação prematura (salvo o acaso, a próxima vaga só ocorrerá após a aposentadoria de Celso de Mello, no final do ano que vem) submete o ministro desde já ao “ritual do beijão-mão”.

– De presidenciável em 2022, passa a refém da política miúda. A regra explica. Cabe ao Senado, em sessão secreta e por 41 votos, aprovar o indicado do presidente ao Supremo. No passado, outros ministros da Justiça foram nomeados para o STF e todos os candidatos se submetem ao périplo dos gabinetes. Mas nunca com tanta antecedência. No jargão da velha política, exposição prematura leva o nome de fritura, escreve o jornalista.

Luiz Weber vê em Moro os atributos para ser ministro do STF, por ser detentor de “notável saber jurídico e reputação ilibada”, mas a nomeação está atrelada ao sucesso do seu projeto de combate à criminalidade, que fica comprometido pelo calendário encurtado definido por Bolsonaro. Agora, Moro terá no máximo dois anos para apresentar resultados.

Se nesse curto tempo o ex-juiz da Lava Jato não mostrar a que veio no ministério da Justiça, ele deixará a impressão de que trocou Curitiba apenas por uma vaga no Supremo, estará dando razão às críticas de que “agiu como um deputado do centrão, hipotecou sua imagem para lustrar um governo em troca de uma sinecura”.

Luiz Weber coloca em dúvida a nomeação de Moro, na conclusão do seu artigo: “Dezoito meses é tempo demais na política. É uma eternidade num governo Bolsonaro. Sem um cartão de visitas para apresentar, talvez sua imagem — e a de Bolsonaro— não esteja tão imantada de prestígio popular a ponto de tornar sua aprovação no Senado algo fácil. Ao se mexer tão cedo, colocou-se em impedimento. E juiz uma vez impedido, sempre impedido”.

 

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