Até quando vamos esperar sentados para ver como é que fica?

Em quase 05 meses, o quadro econômico-fiscal de Minas só se agravou e a única mudança notável feita pelo governador foi a troca dos óculos

A inércia do governo Zema começa a dar angústia. Já se foram quase cinco meses e a nova administração ainda não tem sequer um roteiro para evitar o caos financeiro no Estado – uma ameaça real diante da piora da economia e da arrecadação.

O governador fala em aderir ao programa federal de ajuda, mas não tomou medida concreta. Limita-se a gestos simbólicos, sem maior impacto nas contas públicas e na vida dos cidadãos.

O novo governador optou por ações que transmitem a ideia de austeridade, mas poupam apenas trocados; na última iniciativa, resolveu usar detentos na manutenção de jardins para reduzir despesa. Nada contra o corte de miudezas. Gastos dispensáveis, por menores que sejam, devem ser extintos e é bom o governador dar exemplo. Mas não será economizando ninharias que se conseguirá pelo menos atenuar o rombo estimado em mais de R$ 11 bilhões este ano, podendo chegar à enormidade de R$ 30 bi.

A principal medida do governo até aqui, a reforma administrativa, exigiu muito esforço para parcos resultados. Segundo técnicos da Assembleia, o ganho seria de meros R$ 39 milhões/ano. Do ponto de vista gerencial, as mexidas são cosméticas, não alteram nada em profundidade.

O único projeto de fôlego cogitado no alto escalão – a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do governo federal – não avança na velocidade que poderia. A vagareza mineira fica evidente na comparação com outro estado que se candidata ao mesmo programa: o Rio Grande do Sul.

O governador Eduardo Leite assumiu em condições parecidas com as de Zema. Mas o ritmo de decisão é outro. O gaúcho já superou uma das etapas mais difíceis da adesão ao RRF, que é derrubar a exigência constitucional de plebiscito para venda de estatais. Tal regra inviabiliza as privatizações exigidas no RRF.

Em Minas, o governo também terá que mudar a Constituição estadual para vender a Cemig, o que requer apoio de 2/3 dos deputados. Mas, por ora, não há nem data para a matéria chegar ao legislativo. Nesta segunda (13/5), o vice-governador Paulo Brant, que assumiu interinamente, justificou a demora com filosofia de para-choque: “A rapidez é uma virtude e a pressa um perigo”, disse.

A maior diferença entre Zema e Leite parece estar na articulação política. “Na contramão dos novos eleitos que continuam em campanha eleitoral fazendo balbúrdia nas redes sociais, o jovem governador fez política da melhor qualidade. Conversou, negociou, ouviu e construiu maioria na Assembleia Legislativa”, escreveu esta semana o presidente do Insper, Marcos Lisboa, em elogios públicos ao dirigente gaúcho.

Em Minas o governo continua sem base nem rumo, assistindo quase inerte e meio tonto ao agravamento contínuo da situação fiscal do Estado enquanto o governador realiza a sua segunda viagem ‘policatur’ aos EUA em 30 dias. Talvez a nova equipe não saiba direito o que fazer, ainda. Mas é urgente que exerça logo a virtude da rapidez.

A situação está degringolando, de modo acelerado. O malogro da recuperação e os sinais de recessão na economia projetam uma queda das receitas estaduais, ampliando o rombo e piorando tudo. Agora, o risco é de caos financeiro.

O que mais angustia na crise de Minas é a reação, ou a falta dela. Apesar da gravidade e da urgência da situação, a mudança mais notável feita até aqui pelo governador é a troca de seus óculos. E os mineiros seguem tudo com a maior passividade. Estão sentados esperando para ver no que vai dar, talvez desnorteados demais para reagir. Até ser tarde demais?

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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