O desastre anunciado que não aconteceu na economia de Minas

PIB mineiro não desabou como previsto após a tragédia de Brumadinho; quadro no 1º trimestre foi de estabilidade segundo a FJP

Após a tragédia de Brumadinho, vários pontos de produção mineral foram paralisados em Minas Gerais. Diante disso, chegou-se a esperar o pior; o prognóstico da Fiemg indicou o desabamento do PIB estadual em 12% neste ano, afora outras consequências. Mas, os números até agora mostram estabilidade na economia mineira. O impacto da tragédia não está sendo tão trágico do ponto de vista  econômico. 

O evento de Brumadinho não apenas interrompeu a produção na cidade como fez o poder público paralisar outros plantas consideradas de risco. Entre elas, a de Brucutu em São Gonçalo do Rio Abaixo, a maior de Minas, que ficou um mês sem produzir. A Fiemg alertou para sérios danos à economia caso as paralisações continuassem. 

Apurados os primeiros dados, os danos econômicos estão sendo menores que o previsto. Segundo nota técnica da Fundação João Pinheiro, divulgada semana passada, o resultado do PIB de Minas no primeiro trimestre de 2019 indica que “a atividade econômica apresentou estabilidade na análise da série com ajuste sazonal”. O estudo diz que na comparação com o trimestre imediatamente anterior (outubro, novembro, dezembro de 2018), o índice foi nulo, ou seja, não houve queda nem alta. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve um pequeno crescimento, de 0,6%. 

Um dos fatores que amorteceu o impacto econômico da tragédia foi a própria reação do mercado mineral. Em virtude das interrupções, a oferta do minério caiu e, com isso, o preço da tonelada aumentou. Cinco dias após o rompimento da barragem em Brumadinho, o preço da tonelada subiu para 87,5 dólares, o nível mais alto em dois anos.  

O efeito Brumadinho ainda se mantém. Nesta semana, a agência de risco S&P Global Ratings elevou suas projeções para o preço do minério até 2021. Para a agência, com o ocorrido na cidade mineira. a oferta do minério vai continuar apertada. A estimativa é que neste período a tarifa varie de 90 a 70 dólares. 

Outro componente que ajudou a clarear as projeções sombrias é a perda de representatividade que a indústria está tendo no PIB brasileiro e, consequentemente, no mineiro. Economistas apontam que, na década de 1980, o setor correspondia a 30% do PIB nacional. Ano passado, representou 11,3%. Esse peso perdido no total de riquezas produzidas demonstra que, mesmo com quedas bruscas, não haverá um grande impacto para a economia como um todo.

Marcelo Gomes é jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Apaixonado por política, não vê outra possibilidade de mudança social a não ser por ela. Já trabalhou em rádio e escreve para portais e revistas. Tem experiência em processos legislativos e em questões econômicas. [ Ver todas as publicações ]

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