Argentina tem racha ideológico e eleição imprevisível

Campanha presidencial argentina caminha para uma disputa dramática entre direita e esquerda, sem um nome favorito e sujeita a reviravoltas

O eleitor argentino está indo às urnas eleger o próximo governo como se fosse dançar um último e dramático tango. À beira do abismo, com a sua economia caminhando para a hiperinflação e a desorganização, o país não tem perspectivas de melhora no horizonte, seja quem for eleito em outubro. O que explica a polarização da campanha entre candidatos que, embora em campos opostos, tem em comum a altíssima rejeição.

Difícil apontar quem é mais desgastado: se o presidente direitista Maurício Macri, cuja gestão é ruim/péssima para cerca de 50% dos argentinos, ou a antecessora esquerdista Cristina Kirchner, enrolada em casos de corrupção e reprovada pela outra metade. Não há um nome favorito, segundo as mais recentes pesquisas. Quem ganhar levará um país rachado e radicalizado, além de devastado por uma inflação que já supera os 50% anuais e por uma pobreza que atinge mais de um terço da população.

Uma nova pesquisa presidencial, divulgada pela Synopsis Consultores esta semana, mostra um quadro polarizado, acirradíssimo e imprevisível. Se as eleições fossem agora, Kirchner venceria Macri no primeiro turno por uma diferença de apenas 5,6 pontos (37,2% contra 31,6%), que cairia no turno seguinte para meros 1.1% (46,6% contra 45.7%).

Kirchner tem liderado as pesquisas há meses. Mas a vantagem parece estar se estreitando. E a sua campanha enfrentará percalços: no próximo dia 21, a ex-presidente e atual senadora terá o seu primeiro julgamento na Câmara Federal de Cassação Penal por supostas irregularidades em obras públicas. Qualquer semelhança com o caso Lula não é mera coincidência. Então, não dá para prever o impacto eleitoral do fato. Na incerteza, as pesquisas têm sondado cenários sem o nome da ex-presidente.

Nas simulações com outros candidatos, em substituição aos queimados  Kirchner e Macri, os resultados não diferem muito. Os eleitores macristas vão para o nome do campo da direita e os kircheristas para o representante à esquerda. Mais que personalidades ou atributos pessoais, a maioria dos argentinos se inclina para escolhas ideológicas. Por isso o atual presidente, apesar da derrocada do seu governo, ainda tem chances de ir para o 2º turno e até vencer, com os votos úteis da direita contra o oponente da esquerda.

Para deixar a eleição mais imprevisível, ainda tem uma terceira via na disputa e com números sólidos nas pesquisas. O ex-ministro Roberto Lavagna marcou 17,1% no levantamento Synopsis; em pesquisas anteriores, chegou a aparecer muito perto de Macri, a 6 ou 7 pontos de distância. Ele tem conhecimento e experiência em gestão da economia, o que pode ser uma vantagem no contexto de crise devastadora no país. O ex-ministro pode se tornar uma opção para o eleitor mais conservador que não perdeu a confiança em Macri e não quer a volta da esquerda ao poder.

E se as incertezas já não fossem suficientes, a campanha eleitoral pode ser conturbada pela entrada de um concorrente outsider ou antipolítico. Trata-se do apresentador de TV e influenciador digital Marcelo Tinelli. Com 22 milhões de seguidores as redes sociais, ele foi cogitado inicialmente para disputar o governo da Província de Buenos Aires, mas já começa a ser lembrado para a corrida presidencial.

Com informações do site Poder 360 e do El Clarin.

 

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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