Supersalário é a nova corrupção com dinheiro público

Pagar grandes remunerações tornou-se mais uma obrigação dos contribuintes

(Pixabay)

Mesmo em um país pobre, com mais de 13 milhões de desempregados – e outros tantos sem saber quanto vão ganhar no final do mês – resistem e fazem escola os supersalários no serviço público. Ou que são pagos com recursos públicos. 

No Judiciário, é cada vez mais comum que as remunerações estourem o teto do serviço público, de quase 40 mil por mês. No Legislativo e no Executivo, também. Pagar supersalários tornou-se mais uma obrigação dos contribuintes – são eles que bancam os jetons que engordam a remuneração do secretariado de Zema, os holerites invejáveis dos dirigentes de associações de classe e até mesmo os megaestipêndios dos diretores do Cruzeiro, que deve centenas de milhões ao governo.

Supersalários parecem ser o novo modus operandi da corrupção. Uma metodologia que se consolida em uma economia estagnada e um Estado sem dinheiro para fazer grandes obras. Nas poucas que ainda são feitas, os sistemas atuais de controle e transparência dificultam os métodos mais antigos de surrupiar dinheiro público, como fraudes em licitação, superfaturamento de serviços, medições suspeitas, aditivos desnecessários, etc.  

A saída para se locupletar no setor público encontra sua mais completa tradução nos grandes salários ou quaisquer métodos que possam superfaturar os vencimentos mais modestos, sejam eles jetons, auxílios diversos, penduricalhos, “rachadinhas”… quando o assunto é corrupção, o limite para a criatividade é o infinito.

Editora do site Novos Inconfidentes, é formada em Comunicação Social pela UFMG, trabalhou na revista Isto É e no jornal O Tempo e colaborou como cronista e redatora em várias publicações. [ Ver todas as publicações ]

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