Zema banca jetons do alto escalão e coloca deputados contra a parede

Agora, todo o núcleo operacional e político do governo estadual se sustenta com jetons

Ao indicar cinco secretários para conselheiros da Cemig, nesta terça-feira (09/06), o governador Zema redobrou a sua aposta nos jetons como meio de complementar os salários do secretariado. Antes, ao menos três já recebiam a bonificação pela participação em conselhos estatais. Com as novas indicações, todas as pastas mais importantes, que compõem o núcleo operacional e político, passam a ter chefes sustentados com a remuneração extra. A agora, o que acontece se o jeton cair no legislativo? O governo desaba junto?

Os novos beneficiários com jetons são os secretários Gustavo Barbosa (Fazenda), Elizabeth Jucá (Desenvolvimento Social), Marco Aurélio Barcelos (Infraestrutura e Mobilidade), Germano Vieira (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e Carlos Eduardo Amaral (Saúde). Eles pegaram o boi: o conselho da Cemig é o que melhor remunera no setor estatal mineiro, pagando R$ 13,7 mil por mês aos seus conselheiros. Esse extra é maior que o salário nominal dos secretários: cerca de R$ 10 mil.

O pagamento de jetons aos secretários foi proibido pelos deputados na votação da reforma administrativa do governo. Mas, Zema não engoliu a decisão: vetou a proibição parlamentar e simultaneamente editou decreto autorizando a indicação de cada secretário para até dois conselhos/jetons. O veto do governador deverá ser analisado na Assembleia na próxima semana, antes do recesso legislativo.

O potencial de furdúncio é enorme. Político e jurídico. Zema esticou a corda ao estender os jetons a mais secretários enquanto o assunto tramita no legislativo. Antecipou-se à decisão dos deputados, tornando os jetons ainda mais relevantes para a administração. A manobra joga os deputados contra a parede: agora, se derrubarem os jetons, eles detonam a renda do terço mais poderoso de secretários e podem mandar alguns de volta para o mercado privado em busca de melhor remuneração. E como ficaria o governo num cenário de debandada por salários?

Zema não é bobo. Idem os que o rodeiam. A manobra reforçando os jetons deve irritar a turma no legislativo. Mas, sem dúvida, aumentou sobremaneira o custo político e tornou mais difícil a derrubada do veto que o governador opôs à proibição dos parlamentares. A estratégia pode dar certo.

 

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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