A urgente diversificação da economia

Sob o argumento de prejuízos à economia, o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, permitiu na última quarta (19/06) a volta das atividades na mina Brucutu, da Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo. A decisão é mais um exemplo da forte dependência econômica que os mineiros possuem em relação à mineração. Esse cenário expõe o urgente redesenho na economia.

Cada parte do mundo possui uma característica ambiental que define sua potência econômica. No caso do estado isso é evidente até em seu nome. Região do planeta mais abundante em minério de ferro, Minas tem 7% do seu PIB correspondendo à mineração. Qualquer interrupção nessa atividade seria um estrago só.

A Vale, maior mineradora do Brasil e talvez do mundo, paralisou 10 fontes de extração de minério após a tragédia de Brumadinho. O motivo foi o temor com novos rompimentos de barragens. São minas responsáveis por aproximadamente 40 milhões de toneladas de minério. Isso equivale a cerca de 10% da produção estadual de 2016, calculada em 385 milhões de toneladas, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Conforme nota técnica do departamento de economia da UFMG, em até três anos o Estado deixaria de arrecadar cerca de R$ 575 milhões com impostos indiretos na hipótese de as paralisações permanecerem. Muitos setores da economia giram em torno da mineração, como o comércio. Em razão disso, o departamento da UFMG estima que, na hipótese de a paralisação continuar no período, 15 mil empregos deixariam de ser criados.

Os números acima ajudaram o ministro João Noronha a permitir que a Vale retomasse  operações em Brucutu, a pedido da prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo, sede da mina. No início de maio, a pedido do Ministério Público estadual, o Tribunal de Justiça paralisou as operações em Brucutu, até que a empresa garantisse a segurança da barragem que há no local. São cerca de 30 milhões de toneladas de minérios extraídos anualmente, o maior ponto de produção da mineradora no estado.

O Executivo da cidade mineira afirma que só a mina responde por R$ 60,7 milhões em impostos por ano, ou cerca de 36,5% dos quase R$ 165 milhões que o município arrecadou ano passado. “Se, de um lado, tal decisão, ao determinar a paralisação das atividades da barragem em questão e, por conseguinte, inviabilizar as atividades da mina de Brucutu, teve como objetivo a preservação da segurança da sociedade e do meio ambiente, de outro lado, não observou questões também relevantes e acabou por afetar, direta e indiretamente, a economia da municipalidade”, observou o magistrado em sua decisão.

Os rumos da vida de boa parte dos 21 milhões de mineiros não podem ser tocados somente pela mineração. Embora seja o potencial e Minas, ela não deve colocar de joelhos governos e os demais entes econômicos. O que se requer, urgentemente, é a diversificações de outros potenciais econômicos. Porém “o que se observou na última década foi o aprofundamento da dependência da mineração e o empobrecimento tecnológico da estrutura produtiva”, destaca a UFMG no estudo.

 

Marcelo Gomes é jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Apaixonado por política, não vê outra possibilidade de mudança social a não ser por ela. Já trabalhou em rádio e escreve para portais e revistas. Tem experiência em processos legislativos e em questões econômicas. [ Ver todas as publicações ]

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