Sindicalistas imitam caminhoneiros e aprendem a fazer bloqueios

Manifestações contra governo mudaram de padrão, com centrais sindicais planejando atos de parar o trânsito e causar transtorno

Protestos dos caminhoneiros em 2018

A greve geral desta sexta-feira (14/06) registrou um novo formato de protesto por parte de manifestantes contrários ao governo Bolsonaro. Os dois atos anteriores realizados pela oposição nesta ano se limitaram a mobilizar multidões em passeatas e concentrações de rua. Dessa vez, foi bem diferente. As ações principais de manifestação foram bloqueios de trânsito, tática perfeita para atrair atenção do maior número de pessoas. E muito mais agressiva.

Na região de Belo Horizonte foram bloqueados os pontos mais importantes de fluxo, como a rodovia Fernão Dias, na altura da Refinaria Gabriel Passos, em Betim; o Anel Rodoviário próximo ao bairro Betânia, onde houve queima de pneus; a avenida Afonso Pena e outras vias da capital, bloqueadas por passeatas gigantescas em pleno horário de pico. Teve ainda pontos bloqueados em Congonhas e Mariana, na região Central, afora em outras 24 capitais, conforme os organizadores. 

Os bloqueios ocorreram em todo o país, quase simultaneamente. Foram centenas, em pontos estrategicamente escolhidos. Qual a chance de atos bloquearem estradas em todo o país, ao mesmo tempo, no mesmo dia e com a mesma pauta, de modo espontâneo, sem uma coordenação única? Zero. Claramente, a série de bloqueios no país foi uma operação articulada e planejada. Não ficou um estado sem uma via bloqueada. Teve muita preparação o movimento.

Isso mostra uma mudança de estratégia das centrais sindicais, organizadoras da greve, que buscaram intencionalmente causar um caos nas cidades, ainda que passageiro, para chamar atenção sobre a pauta de seus protestos. Trata-se de uma tática muito similar à adotada pelos caminhoneiros em maio de 2018, na greve que parou o Brasil por alguns dias, deixando o governo encurralado. Pelo visto, o êxito dos bloqueios de estradas feitos pelos caminhoneiros inspirou a mudança nos protestos de sindicalistas e estudantes.

Daqui para frente, podemos esperar protestos mais agressivos e com muitos bloqueios de trânsito. Para tumultuar mesmo. E emparedar o governo.

 

Criadora da rede Os Novos Inconfidentes, formou-se em jornalismo pela PUC-MG e trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de Minas, além de colaborar para várias publicações. Ex-colunista do jornal O Tempo e ex-comentarista da rádio Super Notícias FM. [ Ver todas as publicações ]

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